28 de dez de 2012

Meus Melhores Rascunhos – Christine M.

postado por Caleb Henrique


Editora Underworld, 2012, 120 páginas. (Skoob) 
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As primeiras publicações de Christine M. foram feitas pela internet e, após quase dez anos de escrita, seus melhores textos foram selecionados e transformados em livro. “Meus Melhores Rascunhos” traz uma coleção de crônicas, contos, versos e aforismos retirados de seu antigo blog e também inéditos. A maior característica da obra é o tom intimista, quase pessoal, pois, nesse caso, poderemos apreciar as linhas despretensiosas da autora que sempre viu na escrita, antes de qualquer coisa, um modo de florescer e de se conhecer melhor. Espere textos com romance, sensibilidade e transparência. Um apanhado de pensamentos e sensações da jovem autora que se transformou em um livro encantador.

Avaliação: 5/5

VAMOS FALAR DE SENTIMENTOS? Tudo bem, vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com a resenha, eu sei; A resposta, claramente é: Tudo, meu caro Viajante. Absolutamente tudo. Porque é justamente isso que a Chris uma vez mais nos oferece em Meus Melhores Rascunhos, uma imensa e diversificada gama de sentimentos que poderão te levar da mais alta nuvem ao mais profundo oceano e, provavelmente, muito além. Com seu jeito dócil e honesto e sua encantadora e faceira escrita a escrevedora nos leva a viajar para onde bem entender e, sem que percebamos, estamos muitas vezes dentro de nós mesmos. Esse é, inclusive, um dos aspectos que eu mais admiro nela: A capacidade de sentir e fazer com que sintamos tudo aquilo que escreve. É um pouco como ela descreve no texto sobre a Clarice L. (a qual ela tem como uma amiga, tamanha a proximidade com seus escritos e carrega consigo para onde quer que vá) enquanto eu lia, sentia a Chris aqui, sentadinha perto de mim, sorrindo faceiramente a cada suspiro, sorriso e emoção que conseguiu me arrancar — que acredite, não foram poucos. Em alguns textos, ela se fez tão presente que consegui ouvir sua voz, não apenas em minha mente como ocorre com todos os livros, mas de uma forma tão realística que não encontro palavras boas o suficientes para explicar, então me resumo a sentir mais uma vez a sensação. Sim, eu a ouvi não apenas lendo para mim, mas conversando, desabafando e me deixando absorto diante de tamanha franqueza e transparência e essa sensação é impagável.

Este é um livro curtinho, então, mesmo que eu tenha cogitado a possibilidade de saboreá-lo aos poucos, para não ter de me despedir tão rapidamente, só consegui em duas parcelas. Metade pela manhã e metade antes de dormir. A sensação foi a mesma. Vi a mim mesmo como personagem de muitos daqueles “Rascunhos” e inclusive comentei isso com ela em uma breve conversa, na qual ela retrucou: “Você acha que eu escolho meus pupilos aleatoriamente? tsc tsc tsc” e consecutivamente me deixou todo risonho e bobalhão em frente a esta mesma tela que agora observo.

Então, mesmo sabendo que nem todos dão preferência a livros de contos, textos e prosa, rogo que não deixem de ler Meus Melhores Rascunhos por este motivo, pois acredito que não há forma de se arrepender depois de tê-lo feito. Ganhei meu exemplar da Chris, que me mandou com uma dedicatória muito linda por sinal, e por isso pretendia obter um exemplar na lojinha da Underworld e sortear junto com esta resenha, mas depois de minhas últimas (e gigantescas) aquisições fiz a promessa de não comprar mais nenhum exemplar esse ano (e o mínimo possível em 2013), então quem quiser ler o livro precisa correr, pois ele é de tiragem única e ela já está quase no fim. Deixo então a promessa de sortear O Que Não Diz a Lenda que provavelmente será minha primeira leitura do ano vindouro.

Bom, eis a parte difícil impossível. O quote. Alguém por favor me ensina a escolher apenas um dentre centenas de “quotes quotáveis”? Sério, nem sequer consigo escolher um “rascunho” como favorito, pois amei cada um de uma forma diferente e todos num sentido geral. Pensei em espalhar vários quotes durante esta resenha, só para deixar a curiosidade de vocês a mil, mas me resolvi pelo seguinte: Abri uma página aleatória e peguei o primeiro quote que avistei. Então, deliciem-se:

Eu sempre li. Não consigo ter memória do tempo em que as letras nada mais eram do que símbolos obscuros. Em minha cabeça ou, mais provavelmente, na minha alma mora a ilusão verdadeira de que nasci lendo. (...) leio o que me der na telha. Não defino um livro pela quantidade de exemplares que vendeu, pelo nome que assina a capa ou pela opinião alheia. Mesmo porque, se eu levasse, a última em consideração me sobrariam pouquíssimas opções. — Falemos de amor. (Págs. 48/49). 

PS.: Se você participou da promoção de Sob a Luz dos Seus Olhos e consequentemente curtiu a página da autora no facebook eis mais um ótimo motivo para você obter seu exemplar: TEM SEU NOME NOS AGRADECIMENTOS!


Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.