19 de out de 2012

Diário de Bordo #7

postado por Caleb Henrique


Olá, Viajantes!
Perdoem-me novamente pela ausência. A construção do quarto ainda não acabou e isso está me dando nos nervos, mas felizmente já está bem mais perto. Enfim, ausentei-me esses últimos dias porque estava engajado num projeto pessoal que teve fim hoje. Então, por favor, me desejem sorte e mandem boas vibrações, eu realmente vou precisar. Esse post deveria ser a resenha de Contos de Meigan, mas esse projeto pessoal também me impediu de terminar a leitura do mesmo, então, peço novamente perdão. Tenho outras poucas resenhas prontas, mas, acho que vou optar por mais um escrito, dessa vez em parceria com a Larissa Rebecca que é, além de uma grande amiga, uma leitora fiel do blog. Todos prontos? Apertem os cintos!

LONG WAIT


—Sr. Jack Wayne — chamou a enfermeira educadamente — o Dr. John lhe espera.
O homem sentado a três cadeiras de distância levantou e seguiu em direção a porta indicada por ela. Observei-o entrar na sala. Parecia nervoso, mas não o culpo. Eu mesmo carregava minha própria parcela de nervosismo.
— Você parece nervoso — disse o homem ao lado com um sorriso complacente.
— E de fato estou um pouco — respondi um pouco relutante por ter de admitir.
— Imaginei que fosse — disse num tom agradável. — Tenho me consultado mensalmente com o Dr. John há cerca de um ano. Então não se preocupe demais, estará em boas mãos, posso lhe garantir.
O estranho na cadeira ao lado não fazia ideia do turbilhão de pensamentos e réplicas que davam voltas por minha cabeça e ainda assim tentava me apaziguar. Sorri em resposta. Olhei ao redor, e observei pessoas, tão diferentes e com olhares tão perdidos. Havia a senhora, encostada na parede e com a atenção na televisão, fixada no alto da parede. Também tinha uma moça, remexendo na bolsa, talvez buscando lembranças, parecendo que ia chorar. Um menino acompanhado da mãe, encarando-me com uma expressão insatisfeita. Havia tantos, e havia eu, que os observava para fugir de mim.
A porta do consultório se abriu, e o homem de minutos atrás saiu, trocou um breve cumprimento com o doutor e se foi. Chegou à vez da moça com a bolsa.
Minutos mais tarde ela retorna com uma receita em mãos. Olho para seu rosto e não o vejo mais feliz do que quando ela entrara.
Olhando para ela, entendi que não precisava estar ali. Não poderia me consertar com uma caixa de remédios e uma conversa de minutos com um desconhecido. Seria ali, naquele ambiente nada feliz, que me acharia? Ali, onde tudo era automático? O que eu estava fazendo aqui?
E eu quis sair de lá, sentar em um banco qualquer e apreciar o vento. Andar sem destino certo, sem planejamentos.
Não precisava esperar minha vez, em meio a tanta desolação. Não precisava entrar naquele consultório e utilizar de remédios.
E desisti dessa consulta. Abri a porta e saí correndo dali. Não sabia onde estava. Não o corpo, e sim a mente. Talvez não consiga me achar, mas eu posso tentar. Pelo menos uma vez. Entrei lá sem saber que eu não precisava entrar em lugar algum, o que eu estava precisando e não tomava conhecimento, era entrar em mim.


Caleb Henrique e Larissa Rebecca


Agora, é a vez de vocês: Como estão se sentindo? O que acharam? O que tem lido nos últimos tempos? Vamos lá, falem comigo, gosto de conversar com vocês :)

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.