4 de ago de 2012

Diário de Bordo #4

postado por Caleb Henrique

Olá, Viajantes.
Andei um pouco sumido, eu sei. Peço desculpas, não fiz por mal. Estou passando por mais uma mudança, o que já está se tornando normal para mim. Estou mudando de emprego e largando meu antigo, que sempre levarei em meu coração, afinal, quatro anos não são quatro dias. Lá fiz amigos e fui parte de uma família que foi crescendo aos poucos, mas, o adeus é inevitável, então, estou saindo em paz e cheio de saudades no coração. Enfim, faz um tempo que não posto nada escrito por mim por aqui, certo? Então, só para não perder o costume, postarei um - que de antemão aviso, é um tanto depressivo - escrito essa semana:


BLACKOUT


Então você passa e com uma lufada de ar estou imerso em um devaneio. Uma lembrança. Um aceno e um sorriso. Aperto. Coração aos saltos. Uma dúvida. Melhor, uma certeza. E antes que possa piscar os olhos, estou de volta. Você já se foi. O coração segue apertado e eu sinto uma vontade imensa de levantar, correr e gritar teu nome. Gritar o que sinto, que te quero, que preciso de você. Obviamente não o faço. Mas saboreio o pensamento. Imagino sua reação de espanto, talvez vergonha. E depois? Assusta-me imaginar as possibilidades. Talvez você apenas virasse e seguisse caminhando, como se nada tivesse ocorrido e o meu grito pairaria no ar. Inútil. E então me sinto aliviado por não ter tentado. – Covarde. – O pensamento me invade e antes que eu possa me controlar estou em pé, pedindo licença aos clientes e correndo desesperadamente em meio as ruas que me são tão familiares. – Estou ficando louco. – Não paro de correr até te enxergar e mesmo percebendo que você está em meio a uma conversa animada com sua prima eu grito. Você olha assustada, e eu percebo que tinha razão. E de repente o mundo desacelera – Sempre achei que isso só acontecesse nos filmes. – mas eu não paro, nem titubeio. As palavras saem antes que eu possa hesitar. Escuta, eu sei que combinamos de deixar isso quieto. Mas eu ainda te amo, não quero mais viver sem você ou precisar repetir constantemente que era o melhor a ser feito quando todo meu corpo, mente e alma diz o contrário. Te amo! Te amo! E momentaneamente me surpreendo pelo que fiz. Sua face está ilegível, mas eu continuo te encarando. De repente consigo lê-los. Os olhos. Justamente eles que sempre me foram tão misteriosos. Diziam como num sussurro: eu-sinto-muito. Mas antes que você possa dizer qualquer palavra, me viro e volto a correr, fazendo o caminho inverso. Te escuto gritar. Não posso virar. Não vou virar. Até que os gritos se tornam histéricos. Talvez só por um segundo. O faço. E a vejo gritando CUIDADO! E mais rápido do que eu posso imaginar estou voando, literalmente. Um acidente. Estou acordado, mas sinto a vista escurecer. Pessoas correm em minha direção. A vejo. Ela se abaixa. Está chorando? Acaricia meu rosto e ironicamente tudo o que consigo dizer é o velho clichê do estou no céu? Blackout.

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.