7 de jul de 2012

O Cemitério – Stephen King

postado por Caleb Henrique

Editora Planeta De Agostini, 2004, 244 páginas (Skoob)
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Louis Creed, jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. Uma casa boa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos. Num dos primeiros passeios para explorar a região, conhece um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis se diverte com as histórias fantasmagóricas do velho vizinho Crandall. Só aos poucos começa a perceber que o poder de sua ciência tem limites. Prepare-se para páginas de puro pavor. Em uma de suas mais terríveis histórias, Stephen King mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada.

Avaliação: 5/5


Recentemente uma amiga, após me fazer muita inveja mostrando sua imensa coleção em hardcover do Stephen King, emprestou-me dois livros: ‘O cemitério’ e ‘Carrie, a estranha’. Optei por ler primeiro O cemitério, mas após o término não tenho tanta certeza se fiz uma boa escolha, mas enfim, vamos direto ao assunto em questão, ou melhor, à resenha.

O Dr. Louis Creed não tinha do que reclamar, tinha um emprego novo – e seguramente melhor que o anterior, uma nova casa e a oportunidade de uma vida nova junto a sua família. O Cargo na universidade do Maine encaixava-se perfeitamente em suas expectativas, tal qual sua nova casa que parecia ter espaço de sobra para a infância de Ellie e Gage, seus filhos, e aconchego de Louis e Rachel, sua esposa. No velho vizinho do outro lado da estrada, Jud, ele encontrou um bom amigo, tal qual sua velha esposa Norma, por quem passaria a ter enorme estima. Mas quem já leu algo do King sabe que a paz raramente reina em seus livros, sim? E em seu primeiro dia de trabalho um jovem adolescente do Campus morre em seus braços, ali mesmo na enfermaria, vítima de um trágico acidente. E esse é apenas o primeiro indício do terror, que voltará a tona diversas vezes em forma de mortes, pesadelos, insanidade e outras tantas que só o autor sabe trazer à tona. O livro é um marco do gênero por ser um dos primeiros a se utilizar do recurso ‘terror absoluto’, que dependendo da tolerância psicológica do leitor, pode se tornar bastante perturbador. E levanta, entre outras, a seguinte questão: Se algum de seus entes queridos viesse a morrer e você pudesse trazê-lo de volta, ainda que com consequências, você o faria?

Apesar de ter achado o enredo interessante, tive uma dificuldade imensa de terminar este livro. Creio que li cerca de sete ou oito outros durante a leitura de O Cemitério. Eis o problema: Não consegui ‘entrar’ no universo do livro, não me senti confortável e por várias vezes tive de voltar ao início de algumas páginas ao me dar conta que não havia conseguido prestar atenção. Isso me intrigou um pouco, pois como bom amante de thrillers que sou não conseguia me conformar com o fato de só conseguir ler o livro, na maior parte do tempo, superficialmente. Como justificativa temo ter de admitir que o fato de não conseguir me fixar provavelmente se deve ao fato de eu não ter gostado muito da tradução da Ed. Planeta de Agostini e, inclusive, ter encontrado em um único capítulo quatro graves erros (um deles inclusive na digitação do nome do personagem principal).

Mas é inegável que a trama é interessante e misteriosa. Talvez venha a ser assustadora para alguns (o que, particularmente, não foi o meu caso), mas sem dúvida alguma é um livro que te perturbará os pensamentos. Honestamente, acho praticamente impossível não continuar pensando neste livro após o término, tal qual estou fazendo agora. Aos corajosos, pacientes e amantes de um bom thriller, este é um livro que indico. E como o King repete muitas vezes no desenrolar da trama: “Hey! Ho! Let’s go!”.

- – Ellie – disse o pai, embalando-a –, escute, Ellie, Church não está morto; Está ali, dormindo. – Mas podia estar morto – ela soluçou. – Pode estar, a qualquer momento. Louis continuava a afaga-la. Certo ou errado, acreditava que a filha chorava pela inevitabilidade da morte, pelo fato de a morte ser tão impermeável aos argumentos ou às lágrimas de uma menina; acreditava que Ellie chorava por sua cruel imprevisibilidade e devido à maravilhosa e terrível capacidade que têm os seres humanos de transformar símbolos em conclusões (conclusões que podem ser belas e generosas ou extremamente sinistras). Se todos aqueles animais tinham morrido e tinham sido enterrados, então Church também podia morrer... (a qualquer momento!).
(pág. 36)

Com isso me despeço. Com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.