12 de jun de 2013

Antes Que Eu Vá - Lauren Oliver

postado por Caleb Henrique

Intrínseca, 2011, 360 páginas. (Skoob) 
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TALVEZ você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Um, dois, três ou dez milhões de amanhãs... Tanto tempo, que você possa nadar nele, deixar rolar e enrolar-se nele, deixá-lo cair como moedas por entre os dedos. Tanto tempo que você possa desperdiçá-lo. Mas, para alguns de nós, há apenas o hoje. E a verdade, afinal, é que você nunca sabe quando chegará sua vez.

Avaliação: 5/5 + FAV.




Este é um livro daqueles que deveriam vir com uma etiqueta de “AVISO: Ao terminar este livro você, muito provavelmente, não será mais a pessoa que é neste exato momento. Mas, se quiser arriscar, vá em frente e depois não venha me dizer que eu não avisei.”, sério. Embora tenha de confessar que ele me arrebataria e mudaria minha forma de pensar com ou sem aviso.

Perfeita na voz de uma adolescente, Lauren Oliver nos apresenta Samantha Kingston: popular, possuidora das três melhores — e igualmente populares — amigas do Colégio Thomas Jefferson, do namorado mais cobiçado e de todas as regalias que a popularidade pode lhe oferecer  das quais ela nunca parece se cansar. A estória é datada em 12 de fevereiro, um dos dias letivos prediletos de Samantha: o Dia do Cupido — e de sua morte. Através da escrita intimista e rica em detalhes e veracidade da Oliver, somos levados a acompanhar, dia-após-dia, a jovem e fútil Samantha acordar e reviver o dia de sua morte, numa incessante busca por compreensão ou uma forma de conseguir evitar o acidente e dar um fim a este pesadelo.

Ao contrário do que você deve estar pensando este livro não é uma espécie dramática de um livro do gênero chick lit nada contra o gênero, é claro. O livro trata sobre amizades, verdades, mas principalmente: sobre a vida. E, tendo em vista o quão emudecido o mesmo me deixou, sinto-me na obrigação de citar a Clarice Lispector que um dia sabiamente disse: “O que não sei dizer é mais importante do que eu digo.”, frase que se aplica perfeitamente à minha relação com Antes que eu Vá, pois tudo o que eu não sei dizer sobre ele é o que eu quero que você possa saber e, honestamente, você definitivamente precisa lê-lo para saber do que estou falando.

Enfim, preciso ressaltar que a cada dia que se passa encontro mais e mais motivos para admirar a Oliver que, além de ter uma escrita impecável e admirável, muda a estruturação capitular de modo que a mesma possa se moldar corretamente a cada livro. A deste, em particular, é peculiarmente inteligente e bem pensada. E, se todos os motivos anteriores não foram suficientes para te levar a comprar esta obra (ou se chegaram perto, mas você ainda precisa de um empurrãozinho) (ou se você que comprar, mas tem uma fila grande de desejados e não se decidiu se vale a pena coloca-lo à frente de todos) (e, aos que já querem comprar, considerem isto como um presentinho), terei de deixar-lhes com um dos trechos mais fantásticos (e difíceis de escolher) da obra:

É quando acontece. O instante da morte é cheio de calor e som, e uma dor maior do que tudo, um calor escaldante me partindo em dois, algo cauterizando, chamuscando e rasgando, e se o grito fosse uma sensação, seria esta.
Depois nada.Sei que alguns de vocês devem estar pensando que talvez eu mereça. Talvez eu não devesse ter enviado aquela rosa pra Juliet, ou jogado bebida nela na festa. Talvez não devesse ter colado do teste de Lauren Lornet. Talvez não devesse ter dito aquelas coisas a Kent. Provavelmente há quem acredite que eu mereça, porque ia deixar Rob ir até o fim — porque não ia me guardar.Mas antes que comece a me acusar, permita-me fazer uma pergunta: o que fiz foi realmente tão ruim? Tão ruim que eu merecia morrer por isso? Tão ruim que eu merecia morrer assim?
O que eu fiz foi realmente tão pior do que o que todo mundo faz?
É realmente muito pior do que o que você faz?

Pense a respeito.
 (pág. 64)

Franco, divertido, emocionante e absolutamente instigante. ‘Antes que eu vá’ me arrebatou de uma maneira surpreendente e, confesso, foi impossível não me apaixonar pela estória e suas incrivelmente vívidas personagens. Um dos melhores livros de estreia que já pude ler na vida.

Por fim, concluo com o seguinte questionamento: 
E você, o que você faria se tudo o que tivesse fosse um único dia?

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.