1 de abr de 2013

Diário de Bordo #16

postado por Caleb Henrique

Olá, Viajantes!
Estou de volta e com notícias muito, mas muito boas - que irão ao ar amanhã! 
Enquanto esperamos o YouTube subir o vídeo, que tal ler mais um de meus rascunhos?

AUTUMN



Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.
(Nietzsche)

Acordara com a certeza de que o dia seria ímpar. Lavou o rosto, escovou os dentes, voltou para o quarto e pela janela pôs-se a observar o chão lá fora, agora forrado por folhas secas; parecia que ele, talvez já sentindo o rigoroso frio que o inverno logo traria, tentava se aquecer com o imenso cobertor de tons alaranjados que as árvores gentilmente lhe teciam, na mesma reação involuntária que nos leva a se encolher embaixo das cobertas em dias chuvosos. O calendário marcava o quarto dia do outono, mas em seu interior já era outono há muito. O outono, sabiamente diziam, é tempo de mudanças, transições e queda; mas também de renovação. Ela gostava, particularmente, do clima ameno e bem dosado que os dias possuíam nessa época. Nem sempre quentes, nem sempre frios. Uma dosagem realmente agradável. O velho telefone tocava num cômodo não muito distante daquele, mas de tão imersa que estava em seu devaneio, ela sequer chegou a escutá-lo. Um, dois, três toques e assim por diante. Oito no total, seguidos de um silêncio apaziguador, mas temporário; e então mais um, dois, três toques e ela lá perdida em si mesma. Não sei quanto tempo se passou dessa forma, mas a pessoa do outro lado da linha indiscutivelmente tinha urgência e não parecia propícia a desistir de tentar; Bom, é claro que depois de quinze ou vinte toques ela escutou e se direcionou até o telefone, mas se engana se pensa que foi às pressas, não, não; caminhou mansamente e ao chegar ao antigo telefone azul, parou de súbito e aguardou. Um, dois, três toques... atendeu ao sétimo:

—(silêncio)
—(silêncio)
—(suspiro)
—(silêncio)
—Escuta. Sei que eu fui um idiota e parti seu coração, assim como sei que nada do que eu diga poderá mudar ou minimizar esta verdade, mas...
—(silêncio)
—... tudo bem, você merece alguém melhor, então... Eu vou te deixar viver em paz. Tchau. — as palavras vieram pausadas, sofridas e intensas.
— (silêncio)
— (silêncio)
 vemlogoporfavor — ela sussurrou.

E o que veio a seguir? Mais brigas ou uma transformação, talvez? O que posso dizer é que aquele, meus caros, foi um outono inesquecível e memorável; E não apenas para eles. Mas esta, infelizmente, é uma história que terei de deixar para outra hora.

Caleb Henrique




Agora é sua vez: o que tem lido? O que me conta de bom? (risos) SAUDADES!

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.