12 de fev de 2013

Contos de Meigan: A Fúria dos Cártagos - Roberta S. e Oriana C.

postado por Caleb Henrique

Dracaena, 2011, 618 páginas. (Skoob)
Ver também: Especial: Guardiões (tumblr da Roberta)
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Meigan é um mundo diferente do nosso, morada de seres especiais e poderosos que se denominam magis. Na aparência são exatamente como nós, mas as diferenças não podem ser ignoradas por muito tempo. (...) Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos começa com Maya Muskaf preparando-se para voltar para casa. Depois de três anos vivendo na Terra, o momento de retornar a Meigan finalmente havia chegado. Chegando em meio a uma batalha Maya vai precisar lutar para sobreviver e conseguir responder as perguntas que tanto lhe afligem. Como os cártagos conseguiram acesso ao Solo Sagrado? Onde estavam os guardiões dos portões, os mais poderosos guerreiros de Meigan? E, a mais importante de todas, conseguiria chegar a Katur a tempo de encontrar sua mãe?

Avaliação: 5/5



Em Contos de Meigan: A Fúria dos Cártagos, primeiro livro de uma série de muitos, as autoras Roberta Spindler e Oriana Comesanha conseguem trazer até nós um universo inteiramente novo. Um mundo paralelo ao nosso chamado de Meigan e habitado pelos Magis, que são incrivelmente semelhantes a nós na aparência, mas possuem mantares — essência mágica que varia entre fogo, água, ar e tantos outros elementos que se diferem dos padrões, como é o caso das sombras e do próprio corpo. Foi nesse mundo que Maya nasceu e cresceu antes de fugir para a Terra por medo de enfrentar seu iminente destino: Tornar-se Shyrat, que é como é chamada a governante, ou rainha, de Meigan. Sua mãe, obviamente, é a Shyrat atual e por o cargo ser hereditário e esse ser o principal motivo das constantes brigas com sua mãe, ela optou por fugir e viver entre nós como uma humana comum — o que fez com louvor durante três anos, até seu coração insistir em pedir que ela retornasse. E é aqui que o livro tem início: Com o retorno de Maya à Meigan, que obviamente não poderia ser pior. Ao atravessar um dos sete portais Maya se depara com uma imensa batalha no Solo Sagrado, o que deveria ser impossível, tendo em vista que os Magis não conseguem usar seus mantares no local. Logo ela descobre se tratar de uma invasão dos Cártagos, Magis que foram banidos há muito tempo atrás por traição e agora buscam vingança. Salva por um dos Sete Guardiões dos portais Maya é levada até Kartur, capital de Meigan, onde assiste a cena que mudará sua vida para sempre: O assassinato de sua mãe.

É em meio a esse desastroso cenário de tensão pós-batalha/pré-guerra que boa parte da trama é passada. Maya, que obviamente não sabe como lidar com a morte da mãe e o que isso representa na vida dela (nomeação), não pensa em nada mais que não vingança, o que é totalmente esperado tendo em vista que ela é uma personagem impulsiva — que muitos chamariam de teimosa, mas que muito me agrada. E aqui cabe salientar que as personagens do livro são excelentes, muito bem estruturadas e possuidoras de suas próprias personalidades. Na realidade o livro inteiro é muito bem estruturado, desde a geografia do local (ver mapa abaixo) — que é um dos aspectos que mais me fascinaram na obra — ao enredo incrivelmente bem arquitetado. Não encontrei uma única falha em nenhum ponto da obra, o que é um fato louvável e digno de orgulho. Orgulho, essa é a palavra que descreve o que eu sinto ao ler uma obra tão boa e saber que é fruto da mente de escritores brasileiros; o país que (ainda) aos olhos de muitos: “Não gosta de ler”.


Mapa geral de Meigan.

A escrita do livro é ótima e o único aspecto que dificultou um pouco a leitura do mesmo foi o tamanho dos capítulos — tendo em vista que alguns chegam a ter cerca de 40págs, que embora não sejam enfadonhos me deixavam receoso de pegar no sono (e amassar o livro) ou chegar atrasado para o trabalho na manhã seguinte, mas não creio que esse seja um problema para muitos, afinal, o livro é absolutamente envolvente e te prende do início ao fim. Contos de Meigan também contará com Graphic Novels incríveis (confira a imagem abaixo), além de mais livros, com novas aventuras.


Processo de criação do Graphic Novel.
Honestamente, eu poderia discorrer mais e mais sobre o incrível teor da obra, mas creio que não há melhor forma de conferir e desfrutar dessa experiência que lendo. E, como eu gosto muito de vocês, me sinto na obrigação de anunciar a mega promoção que está rolando. Segue o texto na íntegra:

Você já leu Contos de Meigan e gostou? Então indique o livro para um amigo. Para o carnaval, decidimos realizar uma promoção diferente: quem comprar Contos de Meigan a partir de uma indicação levará o livro por R$28,00 (frete grátis) e a pessoa que indicou participará de um sorteio exclusivo. A cada dez vendas, ocorrerá um sorteio. Entre os prêmios estarão camisas, bottons, ilustrações e outros! A partir de hoje até dia 07/03/13, quem recebeu uma indicação de Contos de Meigan e quiser comprar o livro deve enviar um email para contosdemeigan@gmail.com, não esquecendo de informar o nome, o email e uma rede social (twitter, facebook, etc) da pessoa que indicou. Relembrando que os sorteios acontecerão de dez em dez vendas. O primeiro prêmio será um pôster e um bottom! Então, indique aos seus amigos e compartilhe essa ideia! =)

Então, não há desculpas para não comprar o livro, que está por um preço excelente (tendo em vista que, além de excepcional, possui mais de 600 páginas): Se quiserem me dar uma forcinha e dizer que compraram por indicação do Caleb Henrique vou ficar todo feliz, ok?

Foi difícil separar só um quote, mas tendo em vista que os meus preferidos liberariam spoilers — e isso não seria nada legal, deixo esse que, sem dúvidas, deixará aquele gostinho de quero mais:

— Guardião. Não lhe foi dado o pode de escolher seu destino... — ela lhe tomou uma das mãos. — Mas você será agraciado com a possibilidade de muda-lo. Quando o momento chegar, não hesite. Disciplina, honra e glória, todos esses ensinamentos são dignos. Mas existe algo que está muito além dos princípios que lhe foram passados. Não se esqueça.
Olharam-se por um tempo, até que Serenity soltou sua mão.
— Você vai saber quando chegar a hora — ela sorriu.
Sem compreender o guardião ficou observando a mulher ir embora. O sábio tocou em seu ombro e acenou para que também fossem andando.


***

Quando Maya ficou sozinha novamente, caminhou em direção ao mar até sentir as ondas molharem seus pés. O vento soprava fraco, balançando de leve seus cabelos. Aquela paisagem era tudo de que precisava naquele momento, um pouco de perfeição.
(Págs. 320/321)

Assim me despeço, com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.